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Entrevista exclusiva com Evair, “O Matador”

por Igor Sedano

Evair Aparecido Paulino, mais conhecido como Evair, nasceu no distrito de Crisólia, em Ouro Fino, 21 de fevereiro de 1965, filho de uma família humilde do estado de Minas Gerais. Torcedor do Cruzeiro Esporte Clube na infância, ele não tinha dinheiro para comprar o uniforme do clube. É um ex-jogador brasileiro que atuava como centroavante. É considerado ídolo do Palmeiras, onde marcou 127 gols e integra a lista dos dez maiores artilheiros da história do clube.

Com passagens também pelo Atalanta-ITA, Atlético-MG, Portuguesa-SP, São Paulo, Goiás, Coritiba e Figueirense, o ex atacante também escreveu o nome na história do Vasco e do Guarani.

Evair conquistou títulos de expressão principalmente no futebol brasileiro, sendo Campeão do Pan-americano de 1987 com a Seleção, foi Bi-Campeão Paulista e Brasileiro de 1993 e 1994 pelo Palmeiras, sendo artilheiro do Campeonato Paulista de 94. Em 1996, foi Campeão Japonês com o Yokohama Flugels. Retornando ao Brasil no ano seguinte para integrar a equipe do Vasco da Gama, foi Campeão Brasileiro ao lado de Edmundo. Em 1999 entrou de vez para a história do Palmeiras ao ser Campeão inédito da Libertadores, vencendo o Deportivo Cali nos pênaltis. E em 2000 foi Campeão Paulista pelo São Paulo. Além de amargar dois vices campeonatos, sendo um em 1987 quando foi Vice-Campeão Brasileiro com o Guarani naquele ano polêmico entre Sport e Flamengo. E em 1988 outro Vice desta vez no Campeonato Paulista perdendo para o Corinthians. Neste campeonato Evair foi o artilheiro com 19 gols.

Evair esteve em Limeira-SP cidade em que fez seu primeiro gol como profissional*, para lançar sua biografia ” Evair, o matador” e conceder entrevista exclusiva:

– Qual foi o titulo mais importante que você conquistou? Porquê? 
Evair: O mais importante foi o Paulista de 93, porque faziam 16 anos que o Palmeiras não ganhava título e era um momento desgastante para a torcida do Palmeiras. E fez com que a gente quebrasse um tabu e consequentemente fez com esse fosse o titulo mais importante para mim. Lógico depois fomos campeões da Libertadores, quebramos o tabu do Campeonato Brasileiro onde ficamos sem ganhar por 22 anos.

O ex atacante do Palmeiras ainda completou dizendo que o Campeonato Paulista é um dos mais importantes do Brasil, é o estadual mais difícil de se jogar, o mais disputado. Por conter vários times com chances de ser campeões, de vez em quando aparece um time pequeno e fica campeão.

– O gol de pênalti na final do Paulista de 93 contra o Corinthians foi o gol mais importante da carreira? 
Evair: Foi sem dúvida o mais importante, foi o dia em que palmeirense voltou a ter confiança nos jogadores, nas pessoas que trabalhavam no clube. Tinha passado inúmeros jogadores ao longo dos 16 anos e muita coisa aconteceu nesse tempo. Mas naquele dia ajudei a escrever o nome na história do Palmeiras.

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Comemoração do gol de pênalti na final do Paulista de 93.

-Você sem dúvida é um dos mais maiores cobradores de pênalti do futebol brasileiro e da história do Palmeiras. E também mostrava muita tranquilidade aos torcedores quando iria fazer a cobrança. O que passava na sua cabeça quando você colocava a bola na marca da “cal”? 
Evair: Eu entendia que estava representando um grupo, então eu levava muito a sério um pênalti. Eu treinava mais que os outros jogadores, me preparava psicologicamente para aquilo. Na minha cabeça sempre foi uma maneira de respeitar os meus colegas, e é uma coisa considerada muito fácil cobrar um pênalti, mas na verdade é muito difícil. Exige paciência, treinamento, trabalho psicológico. Ganha-se títulos em cobranças de pênaltis, Brasil foi campeão em 94 assim, o Palmeiras foi campeão da Libertadores de 99 dessa forma.

– Teve algum time que você por algum motivo ou por escolha própria acabou recusando a proposta e depois se arrependeu? 
Evair: Isso sempre acontece, eu tive proposta para jogar na Itália a primeira vez e quando eu cheguei em Bergamo para jogar no Atalanta, a torcida me acolheu muito bem e depois tive proposta da Roma, mas pelo fato da Roma ser um rival do Atalanta eu recusei a proposta. Eu também recusei jogar no Corinthians em duas oportunidades, por ter jogado no Palmeiras, mas disso não me arrependo, porque hoje eu sei o que significa ter vestido a camisa do Palmeiras e não ter jogado no maior rival.

– Qual foi seu maior inspiração para se tornar jogador de futebol? 
Evair: Eu tinha um tio lá em Crisólia-MG, chamado Claudinei ele era meio-campo e ele era considerado o melhor jogador da cidade e da região. E eu me inspirava nessas coisas. Mas eu sempre fui inspirado pelo DESAFIO, quando eu me dei por gente que eu sai de casa aos 14 anos de idade, eu queria ficar melhor do que aquele que estava treinando. Então no primeiro teste no Guarani eu fiz dois gols. Eu via no time profissional o Rubens Feijão, que já estava no fim da carreira e eu começando. Quando fiz meu primeiro gol como profissional foi em Limeira-SP contra a Internacional de Limeira se eu não me engano em 1984 quando pelo Guarani disputamos um torneio amistoso, Copa Rayovac, aquilo para mim foi especial. Eu lembro até hoje, eu fui no ônibus na hora de ir embora e não acreditava naquilo, que alegria fazer um gol no profissional. Não posso dizer para você que eu tinha aquela coisa de ter um jogador que queria ser igual, mas eu sempre gostei de ver Maradona jogar, Van Basten, Gullit, Zico e chegar próximo desses caras é motivador.

– Qual a sensação de ter sido um dos protagonistas da conquista da Libertadores em 99 pelo Palmeiras? 
Evair: Sensação é excelente um título inédito, sempre no Palmeiras tinha essa cobrança, era tudo contra lá sempre foi assim então. Jogar pelo Palmeiras você tem que levar pelo lado pessoal e a libertadores foi justamente isso.

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– Sendo aqui no Brasil ou no exterior teve um jogador que você mais se identificou para jogar ao lado ou em todos os clubes teve esse cara? 
Evair: Não, eu tive alguns companheiros de ataque que foram sensacionais. E quando eles não estava em boa fase, o grupo conseguia levanta-los. É o caso do João Paulo quando comecei no Guarani, o próprio Edmundo no Palmeiras e no Vasco, Caniggia quando joguei com ele na Itália foi excepcional. Então teve alguns jogadores que tivemos oportunidade de jogar juntos que se destacaram e vimos o crescimento deles, e isso foi importante para minha carreira.

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Perguntei também sobre as histórias que rondam os bastidores do futebol, sobre aquelas ajudas que o atacante pedia para os laterais ou os alas para fazer os gols. Alguns ex atletas afirmam que repartiam o “bicho” com quem fizesse assistência, mas o craque do verdão negou que isso acontecia na sua época. Veja o que ele disse sobre o assunto:

“Não tinha isso na minha época, a única coisa que a gente trabalhava era na questão do treinamento, saber como é que o cara gostava que cruzar a bola, então eu sabia quando o lateral chegasse perto da grande área no lado do campo ele poderia cruzar na segunda trave que seria mais fácil para ele. E quando estava muito mais longe da área, era muito mais fácil a bola chegar na primeira trave. Então os jogadores que estavam com a gente já sabia como fazer, nem precisávamos conversar, já havia esse entrosamento” – respondeu Evair.

– Você em algum momento por lesão ou problema técnico chegou a pensar em abandonar a carreira? 
Evair: Em abandonar não, mas em vários momentos por lesões eu desanimei. Fiz cinco cirurgias no joelho também tive a cirurgia da hérnia de disco, que na época faziam poucas cirurgias em jogadores desse tipo e também não sabia como o organismo iria se comportar.

Evair ainda comentou sobre alguns jogadores atuais do Palmeiras:

Perguntei à ele sobre a eventual saída do atacante Dudu, o Gabigol ou o Keno seriam uma boa peça de reposição já que muito se fala no jovem atacante:

“O Dudu realmente cresceu bastante o futebol dele essas últimas partidas ele foi muito bem. É um jogador que já se tornou ídolo no Palmeiras. Mas se realmente é um jogador difícil de segurar, talvez o Keno possa voltar é um velocista é que se comenta também. Lógico o Gabigol é um cara que foi mal lá fora, mas quando chega no Brasil se dá bem e no Santos está muito bem. Não sei se com a camisa do Palmeiras poderia dar certo, mas é um nome muito bom”.

– O que você define sobre o Deyverson? 
Evair: O Deyverson posso defini-lo da mesma forma em que se ele se define que de vez em quando o parafuso desenrosca. Mas são coisas que ele precisa aprender a se conter no momento, então é um jogador que tem feito seus gols, tem caído na graça do torcedor palmeirense.

– Sobre o Borja, você acha que faltou um pouco de paciência da torcida com ele ano passado? Esse ano ele já fez mais gols em menos partidas. 
Evair: Tem que ter paciência com o jogador estrangeiro. Vimos que ele começou muito mal ano passado, ainda está se adaptando, melhorando o futebol dele, precisa se adaptar mais ainda. É um jogador extremamente velocista era acostumado a um sistema de jogo lá na Colômbia onde o time dele saía em contra ataque e ele com a velocidade fazia seus gols. E aqui no Palmeiras é diferente, o time aqui tem que propor o jogo, encurralar o adversário para fazer o gol. E o Borja muitas vezes tem essa dificuldade e não tem mais aquela jogado de contra ataque para ele e isso acaba dificultando.

O ex atacante ainda comentou sobre a possibilidade de voltar a atuar como técnico de futebol, já que teve algumas passagens após encerrar a carreira de jogador. Evair já foi técnico no Vila Nova, CRAC, Itumbiara, Uberlândia e o último foi o River do Piauí. Perguntamos ainda se ele faz cursos frequentemente para essa função.

“Eu procuro tentar fazer cursos quando da tempo, mas são cursos voltados para área psicológica, eu acho que esse é o lado que serve em qualquer situação da sua vida. Tanto para dentro do futebol quanto para fora para o mundo circular, as coisas que você faz no dia a dia. E para ser técnico de futebol você precisa de motivação, saber motivar. Claro, ainda não tive oportunidade de ser treinador de um time que tivesse estrutura igual aos grandes, mas se um dia isso acontecer estarei preparado e estudando mais ainda”.

Falamos ainda sobre Seleção Brasileira, quando o ex atacante não foi convocado para a Copa do Mundo de 1994, essa em que o Brasil acabou sendo Tetra Campeão. Perguntei se para para ele foi uma decepção ficar de fora da Copa de 94.

“Para mim foi uma grande decepção não ser convocado para a Copa. Foi um ano que fiz 54 gols se eu não estiver enganado, era muita coisa alguém fazer esse tanto de gols em um ano. Participei de todas as partidas das eliminatórias e não fui para a Copa que era o mais gostoso. Faltou isso na minha carreira. E muitas vezes doeu, quando eu lembro assim dói no coração. Mas são cicatrizes assim que uma hora ou outra você acaba esquecendo, só se lambra quando alguém pergunta, ou quando passa algum gol e você sabe que poderia estar ali”.

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Conquista do Ouro no Pan-americano de 1987

Também o questionei se houve depois alguma explicação do então técnico Carlos Alberto Parreira, por não ter convocado.

“Não. Depois disso ele nunca chegou em mim e falou o porque não tinha me levado para a Copa. Também fiquei sem entender, meu time era Bi- Campeão Paulista e Bi-Campeão Brasileiro, eu era o artilheiro do Brasil não sei se alguém fez mais de 54 gols aquele ano. Mas não tive nenhum tipo de conversa com o Parreira desse fato”.

– Para você o que faltou ao Palmeiras para chegar na final da Libertadores esse ano? 
Evair: Faltou não tomar gol de bola parada, estar mais atento, sair da Argentina com o empate, não tomar gol fora de casa. São esses detalhes que o brasileiro sempre perde para os argentinos. Eles vem aí jogam um futebol feio, futebol onde pesa mais a violência e a gente não aprende a jogar contra eles. Nós passamos alguns anos atrás ganhando deles, “batendo” neles mas também a arbitragem atrapalha muito o futebol brasileiro. E isso são detalhes que o futebol brasileiro acaba sempre sendo prejudicado pela arbitragem na libertadores e agente esta cansado de ver isso, mas parece que as pessoas que estão vendo isso não entendem isso que está tudo errado, que não pode ser prejudicado dessa maneira, eu fico indignado com isso e parece que as pessoas não conseguem se indignar com isso.

Para finalizar perguntei o que ele tem a dizer de Luis Felipe Scolari e também sobre o atual momento do treinador no Palmeiras.

“É um cara de tirar o chapéu. Tem 70 anos, está trabalhando duro, motivado e motivador. Tem seus méritos e também seus defeitos, mas ninguém pode negar que é uma pessoa diferenciada. Ele está sendo fundamental para o Palmeiras. O time vinha de altos e baixos, mais para baixo. Chegava em uma final e perdia como foi no Paulista. É certo que chegou na semifinal da Libertadores e perdeu também, mas você já vê que o time tem outra cara, com a maneira como ele comanda esse é o diferencial dele”.

* Seu primeiro gol como profissional aconteceu na vitória do Guarani por 3×1 sobre a Inter de Limeira no estádio Major José Levy Sobrinho, dia 05/05/1984 pelo torneio amistoso Copa Ray-O-Vac.

Compartilho com vocês algumas fotos tiradas no dia da entrevista, que aconteceu no último sábado (10) no hotel JWF em Limeira/SP.

Pouco antes de iniciarmos a entrevista houve um duelo de sinuca/bilhar entre o amigo Leandro Franco e Evair. Os dois que já são muito amigos há anos, jogaram uma partida apostando um copa d’água.

E claro, o faro de matador de Evair não permitiu que o amigo Lê saísse vitorioso da partida. Ainda teve pedido de VAR pelo ex atacante do Palmeiras, para analisar um erro de Lê, o qual errou a tacada na bola 15. Mesmo dando chance ao amigo, Evair saiu vitorioso da partida. Ao final, após ter levantado o caneco, aliás, o copo de água (troféu), Evair completou que o amigo já está acostumado com a derrota neste esporte, quando se enfrentam em seu sítio em Ouro Fino-MG.

Leandro Franco, conhecido como Lê é jogador de futebol, já atuou em diversos clubes, dentre eles o Guarani, Internacional de Limeira, Independente de Limeira. No exterior jogou ao lado do Mago Valdivia no Colo-Colo do Chile, esteve também na Grécia, entre outros clubes.

Lê é um grande amigo, genro do ex jogador da Inter de Limeira, Palmeiras, Fluminense, Gilcimar, conhecido como Gil. Com quem tive a honra de ser treinado na época do Sub-11, Sub-13 da Inter de Limeira.

O ídolo palmeirense esteve em Limeira neste final de semana para lançar sua biografia “Evair, O matador”, no Shopping Nações em parceria da Vegetal Pet.

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