

Disputada desde 1969, a Copa São Paulo de Futebol Júnior rendeu, desde então, 122 jogadores que deram seus primeiros passos na competição e, posteriormente, foram convocados pela Seleção Brasileira para uma Copa do Mundo. Os primeiros nomes apareceram no Mundial da Argentina, em 1978, enquanto na convocação de 2026 foi batido o recorde de participação de atletas oriundos da Copinha, com 88% dos lembrados por Carlo Ancelotti.
A primeira Copinha que rendeu um convocado à Copa do Mundo foi a de 1971, com o zagueiro Amaral, do Guarani, sendo relacionado por Claudio Coutinho para o Mundial da Argentina, em 1978. Ao todo, 9 dos 22 lembrados pelo treinador para o Mundial disputaram a Copinha, totalizando 40%. Zé Sérgio, que disputou as Copinhas de 1975 e 1976, pelo São Paulo, foi dos primeiros a percorrer este caminho em curto espaço de tempo.
Técnico da Seleção Brasileira nas Copas do Mundo de 1982 e 1986, na Espanha e no México, respectivamente, Telê Santana convocou 10 atletas oriundos da Copinha nos dois mundiais. O meia Silas e o atacante Muller, do São Paulo, e o meia Valdo, do Grêmio, repetiram o feito de Zé Sérgio e chegaram ao Mundial apenas dois anos depois de disputar a competição de base. O goleiro Carlos, por sua vez, alcançava marca contrária, com 13 anos de diferença entre a disputa da Copinha e a presença na Copa do Mundo.
Sebastião Lazaroni manteve o número na convocação à Copa do Mundo de 1990, na Itália, quando Aldair foi o primeiro a chegar a um Mundial após disputar três edições da Copinha: 1984, 1985 e 1986, pelo Flamengo. Além disso, o atacante Tita atingia a mesma marca do goleiro Carlos, com 13 anos de distância entre as duas competições.
Já em 1994, ano do tetracampeonato mundial da Seleção Brasileira, sob o comando de Carlos Alberto Parreira, o número aumentou para 13 dos 22 convocados e surgiu o primeiro campeão de ambos os torneios. O goleiro Gilmar -que batia o recorde de Carlos e Tita ao estar na Copa do Mundo 16 anos depois de disputar a Copinha e igualava o recorde de Aldair ao disputar três edições do torneio de base- ainda foi campeão com o Internacional de Porto Alegre, em 1978.
No vice-campeonato na Copa do Mundo da França, em 1998, o número volta a cair: agora são 12 os atletas convocados por Mário Jorge Lobo Zagallo que disputaram a Copinha. Na ocasião, o zagueiro Aldair se tornou o único jogador até hoje a disputar três edições de Copinha e de Copa do Mundo.
O pentacampeonato mundial em 2002, na Copa do Mundo do Japão e da Coréia do Sul, sob o comando de Luiz Felipe Scolari, trouxe um novo recorde de atletas que percorreram este caminho: 19 dos 23 convocados, num total de 82%. Além disso, novos campeões da Copinha e do Mundo surgiram. O goleiro Rogério Ceni, campeão em 1993 com o São Paulo; o atacante Luizão, campeão em 1994 pelo Guarani; o zagueiro Lúcio, campeão em 1998 pelo Internacional; e o meia Kaká, campeão em 2000 pelo São Paulo, que foi o quinto da história a conseguir chegar ao Mundial apenas dois anos depois de disputar a competição de base.
Carlos Alberto Parreira repetiu o número de 19 atletas convocados para a segunda Copa do Mundo na Alemanha, em 2006. Nela, o lateral direito Cafu, que disputava o seu quarto mundial, bateu o recorde de diferença entre as disputas: foram 18 anos entre a primeira Copinha, em 1988, e a última Copa do Mundo do capitão do pentacampeonato.
Na Copa do Mundo da África do Sul, o técnico Dunga reduziu este número para 17; enquanto Luiz Felipe Scolari, na Copa do Mundo do Brasil, em 2014, fez este número baixar ainda mais: 16. A queda se manteve na convocação de Tite para a Copa do Mundo da Rússia, em 2018, já que apenas 14 dos 23 jogaram Copinha.
O viés de queda foi interrompido na nova convocação de Tite, agora para a Copa do Mundo do Catar, em 2022, quando um novo recorde foi batido, já que 22 dos 26 convocados haviam disputado Copinha, ou seja, 84%. Nesta Copa, o goleiro Weverton e o volante Fabinho foram os primeiros a ir para um Mundial após jogar a Copinha por times diferentes. O arqueiro disputou em 2005 pelo Juventus do Acre e em 2006 pelo Corinthians; enquanto o meio-campista jogou em 2011 pelo Paulínia e em 2012 pelo Fluminense. Daniel Alves, em sua terceira Copa do Mundo, bateu o recorde de anos separando as competições, já que disputou a Copinha em 2000.
Para a Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá em 2026, a convocação do italiano Carlo Ancelotti superou o recorde da edição anterior, ao ter 23 dos 26 convocados oriundos da Copinha, num alto índice de 88%.
Confira abaixo gráfico com todas as convocações da Seleção Brasileira desde 1978 e quem das listas jogou a Copinha:
Da Copinha à Copa do Mundo
Jogadores convocados para cada Copa do Mundo pela Seleção Brasileira e sua passagem pela Copa São Paulo de Futebol Júnior.