Home EsporteNão dá para falar em inocência, diz promotora sobre Ronaldinho

Não dá para falar em inocência, diz promotora sobre Ronaldinho

por Nilton Castelo

Após permanecer no Ministério Público do Paraguai por oito horas, o ex-jogador Ronaldinho Gaúcho, 39, precisa ficar à disposição da Justiça do país pelo menos até esta sexta-feira (6), quando ele e seu irmão, Roberto de Assis, deverão prestar depoimento a um juiz.

Os brasileiros estão sob custódia da polícia no hotel Yacht y Golf Club, na cidade de Lambaré, próximo a Assunção. Eles estão sendo investigados pela Procuradoria por portarem documentos de identidade e passaporte falsificados.

Nesta quarta (4), os irmãos foram interrogados pelo Ministério Público e saíram sem dar entrevistas. Eles chegaram no local por volta das 8h e permaneceram até as 16h.

“Colaboraram com a investigação com declarações e apresentações de documentos”, disse a promotora Alicia Sapriza à reportagem.

Ronaldinho reiterou no Ministério Público o que havia dito para policiais, que receberam a documentação falsa do empresário brasileiro Wilmondes Sousa Lira, detido na quarta.

Sapriza afirmou que, independentemente de acreditar nessa versão, os irmãos devem ser acusados por portarem documentações falsas. “Ronaldinho e seu irmão ingressaram no nosso país usando documentos de conteúdos falsos. Não dá para falar de inocência”, declarou a promotora. “Para Ronaldinho e seu irmão, essa [citar o envolvimento de Lira] é uma saída processual alternativa, porque os documentos que temos confirmam que esse outro brasileiro seria o responsável por entregar os documentos para eles.”

O advogado dos irmãos, Sérgio Queiroz, está no Brasil. Sem conseguir ir para Assunção a tempo, contratou dois advogados paraguaios para ajudá-lo na defesa. Queiroz acredita que seus clientes serão liberados após prestarem suas versões para a Justiça paraguaia.

“O passaporte é válido. O erro foi na forma como foi feito, não seguiu o protocolo, e eles não têm culpa disso. Amanhã estarão de volta ao Brasil, porque não falsificaram nada”, disse Queiroz. “Essa falha na expedição ocorreu com outras pessoas, mas o Ronaldinho é o único famoso que está prestando esclarecimentos. Se eles tivessem cometido crime, já estariam presos.”

A Polícia Nacional, do Ministério do Interior e do Ministério Público foram até a suíte onde Ronaldinho e seu irmão Assis estavam hospedados, no hotel Yacht y Golf Club, nesta quarta por volta das 21 horas. No local, dizem ter encontrado passaportes e cédulas de identidade paraguaias falsas nos nomes de Ronaldinho e Assis.

Os números dos documentos apreendidos pertencem a outras pessoas, segundo o promotor do caso, Federico Delfino, que concedeu entrevista à imprensa paraguaia na manhã desta quinta (5). Delfine disse que passaporte foi expedido em janeiro deste ano, e as cédulas de identidade, em dezembro do ano passado.

Não é a primeira vez que o nome de Ronaldinho é ligado a problemas com seu passaporte. Em novembro de 2018, ele e Assis chegaram a ter seus documentos brasileiros apreendidos após condenação por um crime ambiental no Rio Grande do Sul.
Ele fora condenado a pagar mais de R$ 8,5 milhões pela construção de um píer em área de proteção ambiental no lago Guaíba, na capital gaúcha. Como não cumpriu a sentença, teve o passaporte retido.

Em setembro do ano passado, um acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Sul permitiu que ele recuperasse o documento. Os termos da negociação não foram publicados à época.

Pouco antes de fechar esse acordo, Ronaldinho havia sido nomeado embaixador do turismo brasileiro pela Embratur, instituto ligado ao Ministério do Turismo. A nomeação ocorrera mesmo sem o documento que permite viagens ao exterior.

Créditos  FOLHAPRESS
Jornal de Jundiaí

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